quarta-feira, 6 de março de 2013


O Teu Amor Que Nos Aceita Por Inteiro

Rezo nesta manhã o Teu amor, ó Deus. O Teu 
amor que nos aceita por inteiro, que abraça
o que somos e o que não somos; o que nós
fomos e nos tornámos. O Teu amor
que ama as nossas possibilidades infinitas
e indefinidas; os nossos desabrochares
esperançosos e as nossas quedas
frustrantes; as nossas liberdades insensatas
e a nossa timidez hesitante. O Teu amor
ensina-nos a confiança e continuamente
relança a nossa história.

José Tolentino Mendonça, in Um Deus que dança

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013



Decálogo sobre o silêncio de Bento XVI
  1. O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo...
  2. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos...
  3. É no silêncio, por exemplo, que se identificam os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles que se amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a pessoa...
  4. No silêncio, falam a alegria, as preocupações, o sofrimento, que encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de expressão...
  5. Do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos laços...
  6. O silêncio é precioso para favorecer o necessário discernimento entre os inúmeros estímulos e as muitas respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente importantes...
  7. Nas diversas tradições religiosas, a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas...
  8. O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras: “Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio...”
  9. Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus...
  10. Silêncio e palavra são ambos elementos essenciais e integrantes da ação comunicativa da Igreja para um renovado anúncio de Jesus Cristo no mundo contemporâneo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Hoje... a esta hora só me apetece o silêncio...
e a voz do salmista:

Ouvi, ó Deus, o meu clamor,
atendei a minha oração.

Dos confins da terra por Vós clamo,
quando me desfalece o coração;
levai-me para um rochedo distante:
Vós sois o meu refúgio,
uma torre forte contra o inimigo.
(Salmo 60)

Oração do justo, que espera a verdade.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


Para esta primeira semana da quaresma, proponho a reflexão.

Palavras da Alma de Mahatma Gandhi
Senhor, ajuda-me a dizer a verdade
diante dos fortes e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos fracos.
Se me dás fortuna, não me tires a razão.
Se me dás sucesso, não me tires a humildade.
Se me dás humildade, não me tires a dignidade.
Ajuda-me a enxergar o outro lado da moeda.
Não me deixes acusar o outro
por traição aos demais, apenas por não pensar igual a mim.
Ensina-me a amar os outros como a mim mesmo.
Não deixes que me torne orgulhoso, se triunfo;
nem cair em desespero se fracasso.
Mas recorda-me que o fracasso é a experiência que precede o triunfo.
Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza
e que a vingança é um sinal de baixeza.
Se não me deres o êxito, dá-me forças para aprender com o fracasso.
Se eu ofender as pessoas, dá-me coragem para desculpar-me.
E se as pessoas me ofenderem, dá-me grandeza para perdoar-lhes.
Senhor, se eu me esquecer de Ti, nunca Te esqueças de mim.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


Iniciamos hoje a Quaresma de 2013.
Proponho uma caminhada realizada ao longo de 90 dias.

Comecemos por meditar o texto: a CINZA de Romano Guardini

Na orla do bosque cresce uma esporeira. Folhas verdes-escuras tão caprichosamente contornadas; docemente flexíveis e vigorosamente lançados os talos esguios; flores como que recortadas em seda espessa e dum azul luminosíssimo de turqueza que enche todo o ar em redor. Passasse agora alguém e cortasse a flor e depois, farto dela, a lançasse ao fogo... não passariam muitos momentos sem que toda aquela magnificência se convertesse em fina tira de parda cinza.
O que o fogo fez aqui em breves instantes, fá-lo o tempo continuamente em todo o ser vivo: no feto gracioso, no alto verbasco, no roble pujante. Fá-lo no ligeiro esquilo e no touro pesado. O resultado é sempre o mesmo, quer se atinja mais rapidamente quer mais lentamente; quer se trate duma ferida ou duma doença, de fogo ou de fome, ou de qualquer outra coisa: em dado momento, de toda aquela vida florescente só fica cinza.
Duma imponente figura, fica um insignificante montículo de pó, que a mais leve brisa faz desaparecer. Das cores luminosas fica a farinha pardacenta. Da vida toda fervente e sensível, fica terra miserável e inerte; ainda menos que terra: cinza!
Tal será a nossa sorte. Como nos causa arrepios quando olhamos para o sepulcro aberto e vemos junto de algumas ossadas um punhado de cinza parda!
“Lembra-te, homem, que és pó e em pó te hás-de tornar”!
Caducidade é o que significa a cinza. A nossa caducidade, não a dos outros. A nossa; a minha! Do meu passamento é que ela me fala, quando o sacerdote no início da Quaresma me desenha na fronte o sinal da cruz com a cinza dos ramos que um dia foram frescamente verdes, distribuídos no último domingo de Ramos: 
Lembra-te, homem, que és pó e em pó te hás-de tornar”!

Tudo se reduz a cinza. A minha casa, a minha roupa, mobília, utensílios e dinheiro; campo, prado e bosque. O cão que me acompanha e o animal que está no curral. A mão com que escrevo, o olho que lê, e todo o meu corpo. As pessoas que amei e as que odiei e as que temi. O que pareceu grande sobre a terra, o que me pareceu pequeno e o que me pareceu desprezível - tudo cinza, tudo...

A todos desejo um tempo favorável e uma caminhada até ao coração de Cristo.


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

10 anos

Boa noite. Faz, no próximo dia 5, 10 anos que tomei posse como Pároco da Paróquia do Senhir da Vera Cruz do Candal. Parece que foi ontem! Como o tempo passa. E as questões que se colocam? Obrigado.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

De volta...

Olá, amigos.
Passado todo este tempo, vou regressar à escrita, neste início do ano 2011.
Não farei promessas, mas irei escrever todas as semanas sobre o que quero partilhar convosco.
Aproveito para desejar a todos vós um Ano de 2011 cheio de Esperança.